Cinemarchitecture reuniu em Abril de 2008 (ainda por esta altura se realiza o workshop) na Faculdade de Arquitectura da Universidade Porto estudantes, académicos, arquitectos e cineastas, com o objectivo de reflectir sobre as ligações, cruzamentos e contaminações entre arquitectura e cinema.
Cinemarchitecture resultou de uma parceria entre a Faculdade de Arquitectura da Universidade Porto, Faculdade de Arquitectura da Universidade de Cambridge, Faculdade de Arquitectura da Universidade Liverpool e da Faculdade de Arquitectura da Academia de Artes da Estónia.
Estive presente nos dois dias de conferências e admito que me rendi ao estudo do cinema na arquitectura e da arquitectura no cinema.
Houve arquitectos que desenvolveram mais o cinema como meio processual de projecto, assim como, outros preferiram falar da linguagem comum, que a arquitectura e o cinema partilham.
1º Dia
No primeiro dia, a manhã foi bastante interessante começando com François Penz, que nos mostrou bastantes referências, assim como, defendeu que a arquitectura usando o cinema se torna mais inteligível, referindo uma frase de S. Gideon:
Only film can make the new architecture intelligiblle.
De seguida Adriana Salvat falou-nos do espaço de referência para o seu filme “ trinta metres | Un Balcó”, um bairro de Barcelona, Barceloneta. Apresentou ainda a evolução da arquitectura como adições de pisos, consoante o crescimento económico, assim como a imagem possibilita a criação de uma outra realidade, posteriormente alterada aquando da nossa observação da mesma. Isto tudo, de um ponto de vista antropológico, sendo a Adriana pós- graduada em antropologia visual.
No fim da manha surgiu o inconfundível arquitecto Manuel Graça Dias que deu exemplos de 3 modos de filmar e ainda 7 filmes dos quais:
1-Metropolis, Fritz Lang, 1997
2-North by Northest , Alfred Hitckcock ,1959
3-Weekend, Jean-Luc Godard
4-Play Time, Jacques Tati, 1967
5-2001, A Space Odyssey, Stanley Kubrick, 1988
6-Blade Runner, Ridley Scott, 1982
7-Pulp Fiction, Quentin Tarantino, 1994
De tarde a sessão foi mais calma, com menos intervenções mas de interesse semelhante.
Richard Koeck, Alexandre Alves Costa e Eva Naripea, Nuno Portas e João Mário Grilo apresentaram nessa sessão.
Gostei da apresentação do grande arquitecto Alexandre Alves Costa, que ainda indicou palavras-chave no entendimento do Cinema:
História; Cidade, Trsnformação; Realidade; Linguagem; Identidade; Nacional/Internacional; Revolução
Criticou, ainda, a nova cultura desinformada, que aceita tudo de forma progressivamente natural.
Devo referir, também, a intervenção do Arq. Nuno Portas, que foi dos que mais defendeu a discussão da linguagem comum entre arquitectura e cinema, referindo o espaço e o tempo como domínios comuns destas duas artes.
2ºDia
Na manhã do segundo dia de conferências devo dizer que o professor arquitecto Luís Urbano conseguiu “colar” toda a audiência na sua apresentação. Uma conferência carregadíssima de referências e diversas imagens. Falou sobre o modo de construção de cenários e as transições de planos, principalmente entre espaços interiores e exteriores.
Interviram ainda nesta sessão Júri Soolep e Abílio Hernandez Cardoso.
Devo referir que a este ponto de conferências me intrigou bastante a confusão em que o conceito “realidade” era usado pelos conferencistas.
Na minha opinião, não criámos diferentes realidades ao visualizarmos uma imagem. A realidade é única. Mas dessa realidade cada um de nós é que retira diferentes informações dela, transformando-as numa percepção pessoal.
E isto surgiu num momento em que o professor Abílio Hernandez clarificou um pouco ao dizer :“ o cinema apropria-se dos locais, mas também os constrói”. Ou seja, essas realidades novas, eram construídas pelos cenários inventados, construídos para esse mesmo momento. Neste caso constroem sim uma realidade diferente que embora possa querer representar uma, é outra.
Da parte da tarde a atenção concentrou-se toda no cineasta Manoel de Oliveira. Apresentaram ainda João Lopes, Robert Kronenburg e Fernando Lopes.
Concluindo, foi um seminário que me entusiasmou bastante. O modo em que o cinema pode ser explorado, principalmente como meio processual: análise; desenvolvimento do projecto, ou até como de apresentação, oferece-nos um meio bastante interessante e que aparece num momento chave em que a arquitectura se aproxima cada vez mais dos novos meios tecnológicos, agora com o mp4, em que se poderá vulgarizar este meio e torná-lo mais presente na vida de cada um.
Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa…